sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

recordar sem nenhuma emoção


"Página do autor
Marco Aurélio
Meditações
Versão portuguesa baseada na tradução inglesa de Maxwell Staniforth
Copyright ©Luís Varela Pinto
Introdução Livro 1 Livro 2 Livro 3 Livro 5 Livro 6 Livro 7 Livro 8 Livro 9 Livro 10 Livro 11 Livro 12 Notas
[Seguinte]
LIVRO 4
1. Se o poder interior que nos rege for fiel à Natureza, ajustar-se-á sempre prontamente às possibilidades e oportunidades oferecidas pelas circunstâncias. Não exige material predeterminado; na perseguição dos seus objectivos está pronto para o compromisso; os obstáculos ao seu progresso são simplesmente convertidos em matéria para seu próprio uso. É como uma fogueira a dominar um monte de lixo, que se tivesse reduzido a um débil brilho; mas a chama ardente depressa assimila a matéria, consome-a e dá ainda mais vida à fogueira.
2. Não tomes nenhuma iniciativa ao acaso, ou sem teres em atenção os princípios que regem a sua própria execução.
3. Os homens procuram a solidão no deserto, na praia ou nas montanhas — um sonho que tu próprio tanto tens acarinhado. Mas tais fantasias são totalmente impróprias de um filósofo, uma vez que em qualquer altura que queiras podes recolher-te dentro de ti próprio. Não há para o homem refúgio algum mais silencioso e mais tranquilo do que a própria alma; sobretudo para quem possua, em si mesmo, recursos que apenas precisa de contemplar para assegurar uma paz de espírito imediata — paz que é apenas outro nome para um espírito bem organizado. Aproveita, pois, este retiro com frequência e renova-te continuamente. Traça para a tua vida regras sumárias, mas que abranjam o fundamental; o retorno a elas bastará para remover todas as aflições e te reenviar sem desgaste para os deveres a que tens de voltar. Afinal, o que é que te aflige? Os vícios da humanidade? Lembra-te da doutrina que diz que todos os seres racionais são criados uns para os outros; que a tolerância é parte da justiça; e que os homens não são malfeitores intencionais. Pensa na miríade de inimizades, suspeitas, animosidades e conflitos que se extinguiram juntamente com o pó e as cinzas dos homens que os experimentaram; e não te aflijas mais. Ou é a parte que te coube em sorte no universo que te agasta? Recorda uma vez mais o dilema, «se não uma sábia Providência, então um simples amontoado de átomos», e pensa na profusão de indícios de que este mundo é como que uma cidade. São os males do corpo que te afligem? Pensa que o espírito só tem que destacar-se e apreender os seus próprios poderes, para não mais se envolver com os movimentos da respiração, sejam eles suaves ou ásperos. Em resumo, recorda tudo aquilo que aprendeste e com que concordaste a respeito da dor e do prazer. Ou é a ilusão da celebridade que te perturba? Não percas de vista a rápida investida do esquecimento e os abismos de eternidade que nos esperam e nos precedem; repara como são ocos os ecos do aplauso, como são inconstantes e sem discernimento os juízos dos pretensos admiradores, e que insignificante é a arena da fama humana. Porque a terra inteira é apenas um ponto, e a nossa própria morada, um minúsculo canto nela; e quantos lá há que te vão louvar, e que tipo de homens são eles? Não te esqueças, pois, de te retirares para o pequeno campo do teu eu. Sobretudo, nunca lutes nem te afadigues; sê, antes, dono de ti próprio, e encara a vida como homem, como ser humano, como cidadão e como mortal. Entre as verdades em que seria bom que pensasses estão estas duas: primeiro, que as coisas nunca podem atingir a alma, mas apenas ficar inertes fora dela, de modo que o desassossego só pode resultar de fantasias interiores; e segundo, que todos os objectos visíveis mudam num instante e deixam de existir. Pensa nas inúmeras mudanças em que tu próprio tomaste parte. Todo o universo é mudança, e a própria vida não é senão aquilo que tu acreditas que é22 .
4. Se o poder do pensamento é universal no género humano, também a posse da razão o é, fazendo de nós criaturas racionais. Donde, portanto, que esta razão, com os seus «tu deves fazer isto» ou «tu não deves fazer aquilo» não é para nós menos universal. Há, assim, uma lei-mundo; o que, por sua vez, significa que somos todos concidadãos e partilhamos uma cidadania comum, e que o mundo é uma só cidade. Há alguma outra cidadania comum que possa ser reclamada por toda a humanidade? E é deste mundo-estado que o espírito, a razão e a lei, eles mesmos, derivam. Senão, de que mais? Assim como a parte terrena de mim tem a sua origem na terra, a parte aquosa num elemento diferente, e a respiração numa e as partes quentes e ardentes noutra das fontes de si mesmas, situadas algures (porque nada vem do nada nem pode regressar ao nada), assim também deve haver uma origem para o espírito.
5. A morte, como o nascimento, é um dos segredos da Natureza; os mesmos elementos que se combinaram, dispersam-se então. Nada nela tem de causar pena. Para seres dotados de espírito, ela não é anormal, nem de forma nenhuma incoerente com o plano da sua criação.
6. Que os homens de um certo tipo se comportem como o fazem, é inevitável. Desejar que as coisas sejam de outra maneira é como desejar que a figueira não produza o seu sumo. Em qualquer caso, lembra-te de que dentro de muito pouco tempo, tanto tu, como ele, estarão mortos, e os vossos próprios nomes rapidamente esquecidos.
7. Afasta de ti a ideia do «Fui ofendido», e com ela irá o sentimento. Rejeita o teu sentido de ofensa, e essa ofensa desaparece.
8. Aquilo que não corrompe o próprio homem não pode corromper-lhe a vida, nem provocar-lhe qualquer dano quer exterior, quer interiormente.
9. As leis da conveniência do colectivo exigiram que isto acontecesse.
10. O que quer que aconteça, acontece de forma correcta. Observa com muita atenção e verás que isto é verdade. Na sucessão de acontecimentos não há só uma mera sequência, mas uma ordenação que é justa e correcta, como a da mão daquele que entrega a todos o que lhe é devido. Mantém, pois, a tua atenção, como de princípio, e deixa que a bondade acompanhe cada uma das tuas acções — bondade, quero dizer, no sentido exacto da palavra. Em todas as tuas actividades, presta atenção a isto.
11. Não copies as opiniões dos arrogantes, nem deixes que eles te ditem as tuas próprias, e olha as coisas à luz da verdade.
12. Para dois pontos deves tu estar sempre pronto: primeiro, para fazer exclusivamente aquilo que a razão, nossa rainha e legisladora, sugerir para o bem-estar comum; e segundo, para reconsiderar uma decisão, se alguém presente te corrigir e te convencer de um erro de julgamento. Mas tal convicção deve proceder da certeza de que isso servirá a justiça ou o bem comum ou qualquer outro interesse do género. Deve ser esta a única coisa a considerar; não a probabilidade do prazer ou da popularidade.
13. Tu és dotado de razão? «Sou.» Então por que não usá-la? Se a razão fizer o seu papel, que mais podes pedir?
14. Como parte que és, és inseparável do Todo. Vais-te dissipar naquilo que te deu vida; ou melhor, vais-te transmutar uma vez mais na Razão criadora do universo.
15. Muitos grãos de incenso caem no mesmo altar: uns mais cedo, outros mais tarde — não importa.
16. Basta-te regressar aos ensinamentos do teu credo, e à veneração da razão, e numa semana aqueles que agora te colocam no grupo das bestas e dos macacos irão chamar-te um deus.
17. Não vivas como se tivesses mil anos à tua frente. O destino está ali ao virar da esquina; torna-te bom enquanto a vida e o poder ainda te pertencem.
18. Quem ignora o que o vizinho está a dizer ou a fazer ou a pensar, e apenas cuida de que os seus próprios actos sejam justos e piedosos, ganha enormemente em tempo e em paz. Um homem bom não anda à procura dos defeitos dos outros, antes prossegue vigorosamente em direcção ao seu objectivo.
19. O homem cujo coração palpita pela fama depois da morte não pensa que todos aqueles que se lembrarem dele em breve estarão também mortos, e que, com o correr do tempo, geração após geração, até ao fim, depois de sucessivamente cintilar e se sumir, a centelha final da memória se extingue. Mais, mesmo supondo que aqueles que te recordam nunca morreriam, e nem as suas memórias, mesmo assim, o que é que isso representa para ti? Na sepultura, nada, evidentemente; e mesmo em vida, para que serve o louvor — senão talvez para facilitar qualquer propósito menor? Estarás, pois, seguramente, a proceder à rejeição daquilo que a Natureza te deu hoje, se todo o teu espírito estiver voltado para aquilo que os homens irão dizer de ti amanhã.
20. Tudo o que, de um qualquer modo, é belo, recebe a sua beleza de si próprio, e não precisa de nada para além de si próprio. O elogio não entra nisso, porque nada fica melhor ou pior em resultado do elogio. Isto aplica-se mesmo às formas mais mundanas da beleza: objectos naturais, por exemplo, ou obras de arte. De que mais precisa a verdadeira beleza? De nada, certamente; tal como a lei, ou a verdade, ou a bondade, ou a modéstia. Alguma destas fica mais bela com o louvor, ou mais feia com a crítica? Será que a esmeralda perde a sua beleza por falta de admiração? Ou o ouro, ou o marfim, ou a púrpura? Ou uma lira, ou uma adaga, ou um botão de rosa, ou um jovem?
21. Se as almas sobrevivem depois da morte, como é que o ar lá em cima arranjou espaço para elas desde o princípio dos tempos? Pergunta, também, como é que a terra arranjou espaço para todos os corpos enterrados desde tempos imemoriais. Aí, após um curto intervalo, a transformação e a corrupção abrem espaço para outros corpos. Da mesma maneira, as almas transferidas para o ar sobrevivem algum tempo antes de sofrerem uma transformação e uma disseminação e são então transmutadas em fogo e levadas de novo para o interior do princípio criador do universo; e assim se cria espaço para receber outras. Esta será a resposta de qualquer crente na sobrevivência das almas. Além disso, temos de contar não só com o número de corpos humanos enterrados desta maneira, mas também com o de todas as criaturas que são devoradas diariamente por nós próprios e pelos outros animais. Quantas e quantas não são, por assim dizer, enterradas nos corpos daqueles a que servem de alimento! E uma vez mais, pela sua dissolução no sangue e depois, pela sua transmutação em ar ou fogo, todo o espaço necessário fica disponível. Como é que descobrimos a verdade de tudo isto? Fazendo a distinção entre matéria e causa.
22. Nunca te deixes arrebatar pela emoção: se um instinto se agita, cuida primeiro de saber se ele vai ao encontro das exigências da justiça; quando uma impressão toma forma, certifica-te primeiro da sua exactidão.
23. Ó mundo, estou em sintonia com cada uma das notas da vossa grande harmonia! Para mim nunca é cedo nem tarde se para vós for a tempo. Ó Natureza, tudo o que as vossas estações produzem é fruta para mim. De vós vêm, e em vós e para vós são todas as coisas. «Querida Cidade de Deus!» Não choremos, mesmo quando o poeta exclama «Querida Cidade de Cecrops!»23
24. «Se quiserdes conhecer a satisfação, sede parco nos actos», disse o sábio. Melhor ainda, limita-te àqueles que são essenciais, e àqueles que a razão exige de um ser social. Isto traz a satisfação que resulta de fazer apenas algumas coisas e fazê-las bem. A maior parte das coisas que dizemos e fazemos não são necessárias, e a sua omissão pouparia tempo e aborrecimentos. Portanto, um homem deve perguntar-se a cada passo, «Será esta uma das coisas supérfluas?» Mais ainda, não apenas os actos inúteis, mas mesmo as impressões inúteis devem ser suprimidas; porque assim não resultarão numa acção desnecessária.
25. Faz a ti próprio um teste à tua capacidade de viver uma vida de homem bom; uma vida de pessoa satisfeita com a parte que lhe coube no universo, que apenas procura ser justa nas suas acções e caridosa nas suas maneiras.
26. Viste aquilo?24 — agora, repara. O teu papel é ser sereno, simples. Alguém está a proceder mal? O mal fica com ele. Aconteceu-te alguma coisa? Está bem; pois foi o teu quinhão do todo universal que te foi cometido quando começou o tempo; um fio urdido na tua teia particular, como tudo o mais que acontece. Numa palavra, a vida é curta; portanto, tira bom proveito da hora que passa, obedecendo à razão e procedendo com justiça. Não vergues, mas sê comedido.
27. Ou um universo que é todo ele ordem, ou então uma balbúrdia atirada ao acaso, mas formando um universo. Mas, poderá subsistir alguma ordem em ti próprio e ao mesmo tempo a desordem no Todo mais amplo? E isso quando existe unidade de sentimentos entre todas as partes da natureza, apesar das suas divergências e dispersão?
28. Um coração negro!25 Um coração efeminado, obstinado; o coração de uma besta, de um animal selvagem; infantil, estúpido e falso; o coração de um vigarista, o coração de um tirano.
29. Se aquele que não sabe o que está no universo é uma pessoa estranha ao universo, não o é menos aquele que não sabe o que lá se passa. Uma tal pessoa é um exilado, um auto-banido do regime da razão; um cego com os olhos do entendimento escurecidos; um pobre dependente dos outros, sem recursos próprios para a sua subsistência. É uma excrescência no mundo quando se dissocia e divorcia das leis na nossa natureza comum ao recusar aquilo que lhe coube em sorte (e que afinal é um produto da mesmíssima Natureza que te produziu a ti); é um membro decepado da comunidade, quando separa a própria alma da alma única de todas as coisas racionais, deixando-a à deriva.
30. Um filósofo anda sem camisa26 ; outro sem livros; um terceiro, meio-despido, diz, «Pão, não tenho, e mesmo assim apego-me à razão.» Pela minha parte, também não tenho o fruto daquilo que aprendi, contudo apego-me a ela.
31. Entrega o teu coração ao que aprendeste, e busca nisso refrigério. Faz por passar os dias que te restam como alguém que, em todos eles, se entregou de todo o coração aos deuses, e que, portanto, não é dono nem escravo de ninguém.
32. Pensa, digamos, nos tempos de Vespasiano;27 e o que é que vês? Homens e mulheres muito ocupados a casar, a criar os filhos, a adoecer, a morrer, a lutar, a festejar, a tagarelar, a trabalhar a terra, a lisonjear, a fanfarronar, a invejar, a intrigar, a rogar pragas, a jogar o destino, a amar, a entesourar, a cobiçar tronos e honrarias. De toda essa vida, nem o mais pequeno vestígio sobrevive hoje. Ou avança até aos dias de Trajano; outra vez a mesma coisa; essa vida morreu também. Dá igualmente uma vista de olhos aos registos de outros povos e épocas passados; repara como todos e cada um, depois da sua curta vida de luta, morreram, dissolvendo-se nos elementos. Recorda mais especialmente alguns, mesmo do teu conhecimento, que buscaram a vaidade em vez de se contentarem com um cumprimento corajoso dos deveres para que foram criados. Em tais casos é essencial não nos esquecermos de que o mérito da perseguição de qualquer objectivo depende do valor do objectivo perseguido. Portanto, se quiseres evitar o desencorajamento, nunca te deixes absorver por coisas que não sejam de primeira importância.
33. Expressões outrora correntes caíram hoje em desuso. Nomes, também, que eram antigamente familiares, são hoje virtualmente arcaísmos; Camilo, Caleo, Voleso, Dentato; ou, um pouco mais tarde, Scípio e Catão, Augusto, também, e mesmo Adriano e António. Todas as coisas se dissolvem no passado lendário e em pouco tempo ficam envoltas no esquecimento. Mesmo para os homens cujas vidas foram de uma glória deslumbrante, esta passa; quanto aos outros, ainda mal acabam de dar o último suspiro e já, nas palavras de Homero, «os perdem de vista e de nome». O que é, afinal, a fama imortal? Qualquer coisa vazia e oca. A que é que nós devemos então aspirar? A isto e só a isto: ao pensamento justo, ao procedimento desinteressado, à boca que não mente, ao carácter que acolhe cada acontecimento como uma coisa predestinada, já esperada e que emana da fonte e origem Única.
34. Submete-te a Clotho28 de bom grado e deixa-a fiar o teu fio do material que ela quiser.
35. Todos nós somos criaturas de um dia; tanto os que recordam como os que são recordados.
36. Vê como todas as coisas estão sempre a nascer da mudança; ensina-te a ti próprio a ver que a mais elevada felicidade da Natureza reside em mudar as coisas que existem e formar novas coisas da mesma espécie. Tudo aquilo que existe é, em certo sentido, a semente do que irá nascer de si. Não há nada menos próprio de um filósofo do que imaginar que a semente só pode ser alguma coisa que se deita à terra ou no útero.
37. Muito em breve vais morrer; mas tu ainda hoje não és puro, nem és superior à inquietação; nem imune ao mal exterior; nem caridoso para todos os homens, nem estás persuadido de que proceder com justiça é a única sabedoria.
38. Observa cuidadosamente aquilo que guia as acções dos sábios, e aquilo que eles evitam ou buscam.
39. Para ti, o mal não vem do espírito de outrem; nem mesmo de qualquer das fases ou mudanças da tua estrutura corporal. Então, donde? Daquela parte de ti próprio que age como avaliador daquilo que é mau. Recusa a sua avaliação e tudo ficará bem. Embora o pobre corpo, tão próximo dele, fique ferido ou queimado, supure ou gangrene, cala a voz desse avaliador; que ele não declare nada mau ou bom se isso pode acontecer tanto a homens bons como a homens maus — porque tudo o que acontece de forma imparcial aos homens, quer eles observem as leis da Natureza ou não, não pode nem entravar os seus propósitos, nem precipitá-los.
40. Pensa sempre no universo como um organismo vivo, com uma substância e uma alma únicas; e vê como todas as coisas estão sujeitas à perceptibilidade deste único todo, todas são movidas pelo seu impulso único, e todas desempenham o seu papel na causação de tudo o que acontece. Repara no intricado da meada, na complexidade da teia.
41. «Uma pobre alma que carrega consigo um cadáver»29 , eis o que Epicteto te chama.
42. Estar em processo de mudança não é um mal, tanto como não é um bem ser um produto de uma mudança.
43. O tempo é um rio, o inexorável fluir de todas as criaturas. Uma coisa mal aparece à vista e logo desaparece rapidamente e outra nasce para logo, por sua vez, ser varrida.
44. Tudo o que acontece é tão normal e já esperado como a rosa na primavera ou o fruto no verão; isto é verdade para a doença, para a morte, para a calúnia, para a intriga e para todas as outras coisas que deliciam ou incomodam os tolos.
45. O que acontece a seguir está sempre intimamente relacionado com aquilo que o precedeu; não é um desfile de acontecimentos isolados que obedecem simplesmente às leis da sequência, mas uma continuidade racional. Além disso, tal como as coisas que já existem, estão todos coordenados harmoniosamente, os que se encontram em processo de nascimento exibem a mesma maravilha de concatenação, e não o facto nu e cru da sucessão.
46. Lembra-te sempre do ditado de Heráclito, «Morte da terra, nascimento da água; morte da água, nascimento do ar; do ar, o fogo; e assim sucessivamente sempre em ciclos repetidos». Lembra-te também do seu «viajante esquecido do sítio onde o seu caminho o leva», do seu «homens sempre em desacordo com a sua companheira mais próxima» (a Razão controladora do Universo) e do seu «embora eles deparem com isto a cada passo, continuam a achá-lo estranho». E ainda, «nós não podemos agir ou falar como homens adormecidos», (porque, de facto, os homens durante o sono imaginam-se a agir e a falar), «nem como crianças às ordens dos pais»; isto é, em obediência cega às máximas tradicionais.
47. Se um deus te dissesse, «Amanhã ou, quando muito, depois de amanhã, morrerás», tu não ficarias muito interessado em saber, a não ser que sejas o mais abjecto dos homens, se isso seria no dia seguinte ou no outro — porque, qual é a diferença? Da mesma maneira, não consideres de muita importância saber se isso será daqui a muitos anos ou já amanhã.
48. Lembra-te sempre de todos os médicos, já mortos, que franziam as sobrancelhas perante os males dos seus doentes; de todos os astrólogos que tão solenemente prediziam o fim dos seus clientes; dos filósofos que discorriam incessantemente sobre a morte e a imortalidade; dos grandes chefes que chacinavam aos milhares; dos déspotas que brandiam poderes sobre a vida e a morte com uma terrível arrogância, como se eles próprios fossem deuses que nunca pudessem morrer; de cidades inteiras que morreram completamente, Hélice, Pompeia, Herculano e inúmeras outras. Depois, recorda um a um todos os teus conhecidos; como um enterrou o outro, para depois ser deposto e enterrado por um terceiro, e tudo num tão curto espaço de tempo. Repara, em resumo, como toda a vida mortal é transitória e trivial; ontem, uma gota de sémen, amanhã uma mão cheia de sal e cinzas. Passa, pois, estes momentos fugazes na terra como a Natureza te manda que passes e depois vai descansar de bom grado, como uma azeitona que cai na estação certa, com uma bênção para a terra que a criou e uma acção de graças para a árvore que lhe deu a vida.
49. Sê como o promontório contra o qual as ondas quebram e voltam a quebrar; mantém-se firme até que, por fim, as águas tumultuosas à sua volta se rendem e vão descansar. «Que infeliz sou, o que me havia de acontecer!» De modo nenhum; diz antes, «Que feliz que eu sou em não ter ficado com azedume, mas antes inabalado pelo presente e sem receio do futuro». Aquilo podia ter acontecido a qualquer pessoa, mas nem todos ficariam assim sem azedume. Então, por que atribuir uma coisa à má sorte em vez de atribuir a outra à boa sorte? Pode alguém chamar pouca sorte a uma coisa que não seja uma infracção à sua natureza; e poderá ser uma infracção à sua natureza se não for contra a vontade da natureza? Bem, então: já aprendeste a conhecer essa vontade. Isso que te aconteceu impede-te de ser justo, magnânimo, moderado, judicioso, discreto, verdadeiro, respeitador de ti próprio, independente, e tudo o mais que leva à realização da natureza do homem? Eis, então, uma regra a recordar no futuro, quando alguma coisa te tentar a sentires-te amargo: não «Isto é uma infelicidade», mas «Suportar isto dignamente é uma felicidade».
50. Filosofia à parte, uma efectiva ajuda no sentido de menosprezar a morte é pensar naqueles que se apegaram avidamente às suas vidas. Que vantagem tiveram eles sobre os que morreram ainda jovens? A terra cobre-os a todos eles algures, em qualquer tempo; Cadiciano, Fábio, Juliano, Lépido e todos os outros que acompanharam tanta gente às suas sepulturas simplesmente para, depois, serem por fim acompanhados às suas próprias. Curta foi, afinal, a prorrogação de que gozaram; arrastados até ao fim nestas condições e com estes ajudantes, e num corpo miserável. Não lhe dês, pois, grande importância; repara no abismo de tempo por detrás dela e no infinito que ainda se lhe segue. Em face disto, o que é que Nestor, com todos os seus anos tem a mais em relação a qualquer bebé de três dias?
51. Segue sempre pelo caminho mais curto; e o caminho mais curto é o da natureza, tendo como objectivo uma perfeita segurança em cada palavra e acção. Tal propósito libertar-te-á da ansiedade e do conflito, e de todos os compromissos e estratagemas. "

a roupa de sempre


estou com as primeiras 13 páginas do HERÁCLITO livro de PAULO DE TARSO RIBEIRO uma pancada na cabeça da manada que nem desconfia do que está contido neste POEMA- POESIA-ENSAIO FILOSÓFICO-PROSA-CONHECIMENTO-E TODOS OS HÍFENS MAIS uma verdadeira tomada de consciência pra qualquer plug bem conectado ao sistema planetário de qualquer galáxia o humano finca sua espada de aroeira com todas as farpas acariciando todas as paredes de todas as entranhas abertas sem nenhuma piedade fora do caminho do conhecimento pleno AUTOR curvando-se diante do mestre MESTRE ao mostrar a força do seu mestre: a FRESTA vai editar aguardem ainda neste 2009.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

MAGMA MELADA


todos pensaram que era um vulcão. mesmo extinto. mas será que não viram aquele "junteio" de joelhos em atrito no mesmo corpo?
a lava desceu melando apenas o próprio pé claudicante, provaram: era melado puro, e ainda melo o dedo em L ao relatar o conto do vigário a mil e uma noites atrás. com o baú furado deixou vazar todo o ouro, que vou usar para ganhar o brasil telecom deste ano.
pensando na saúde de todos que inalaram da fumaça doce, tenho como antídoto um chute nos dois joelhos, na bola, é claro, pois estou de frente pro juiz.
as fábulas e as paródias só nos fazem pensar quando não conhecemos nem os autores nem os agentes em questão, e descendo mais ainda, os ruins de chinfra, no ditado dos malandros populares, aqueles que evitamos, como se fossem leprosos ou comunistas, os que nos dão coceira só de pensar estar na presença, estes não merecem um conto, então: não conto!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

o traço da unha


asco passa roço cada folículo da pé assim sonoramente borracha couro madeira aberto Y para agarrar ao esticar soltar pedra do couro cabeludo vai passar no V seguro pelo cabo empunhadura deste lingue lânguido lamber sem gastar saliva de cobra de vidro aguardente não vamos comer o STADEN rãs formam haicai e bananeiras abanam gritando para serem páginas do Heráclito que está sendo escrito por papai smurf a dose preparada direto de diadema antes de descer pra bertioga desfile de modas da alta costura liya kebede onça preta espreito da fresta uma possibilidade de edição

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

PASSARELA ENCERADA: REFLEXO


momento delicado este de travar o primeiro contacto com o estranho na esperança vã de um mundo melhor que não o corpo em plena linguagem balançando suas cartas de outros baralhos o trem do hesse e seus companheiros de viagem ensaiando qualquer peça fora do dizer realmente o que pensa e continuar a aproximação independente das estranhesas do outro estar sem bagagem rumo ao que vier rompendo todos os formatos ou receitas até as suas próprias quantos pássaros perdi em seus voos subtis quantas interrogações em cada olhar não decifradas: mortes em vidas. é as vírgulas e os pontos controlam o seu tempo em minutas do por vir ...quanto a mim passo com o carroção de sena e quina reservando a gabuada miada profunda do gato em construção!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

estética: ex-técnica

sei que vocês não respeitam vento, apesar do ar viciado em vossos pulmões,vejo que esquecem o estrago deixado por furacões e outras manifestações onde este Deus dança com a velocidade necessária, mesmo os seus mortos quando jogam fora o seu último trago de vento é só questão de tempo e lá estão vocês repetindo o mesmo desrespeito a mesma orelha suja ao sopro anterior, quando reclamam que o ar está parado e leque aberto gesticulam sem nenhuma classe e dizem acreditar no que não vê nem sente ignoram a linguagem do vento, ventam contra o vento, que é um apenas, contra vocês todos,e ninguém jamais vai falar depois que ele, o vento, for embora ...

domingo, 11 de janeiro de 2009

O ÚLTIMO DA ELITE DOS REIS DO ASFALTO


larguei no pelotão de elite e fui o último a chegar com mais de 52 minutos não sei quem ganhou tomei dois copos descartáveis de água mineral durante o percurso na chegada não me deram nada evitei o show do brega e fui pegar meu carro distante um km fora da muvuca direto pra casa bebi comi dormi vi tv e posto agora minha volta às pistas depois de 10 anos afastado devido a disco artrose na lombar pelo pouco volume de treino considero um bom resultado para um menino de 50 primaveras e 80 kilos além é claro dos desvios e curti ser finalmente o último na corrida de reis com calção speedo sapatos de corrida avia meia preta de bolinhas brancas camisa de regata da prova relógio iron man boné da prova óculos rudy project desfilei sem ser importunado e não digo nada da viagem que rachou na minha cabeça do início ao fim...

sábado, 10 de janeiro de 2009

BRASFORT

A FOTO DA SEMANA TEM DISCO VOADOR AO FUNDO DE PLACA ESCRITA DO INTERIOR: NEGÓCIO DE DOMINGO, em baixo: CONSERTA-SE DISCO VOADOR: é do amigo LUIS ALVES.




apesar da rocha ainda somos pedregulhos para um bom estilingue estique ao máximo as gomas da câmara de ar de pneu de caminhão quando eram vivas ainda na década de 60 agora posso recomendar garrotes médicos macarrôes comerciais vendidos em qualquer farmina envolvidos no melhor couro curtido e cilindrado furos nas duas extremidades seremos mandados de volta ao centro do alvo: na mosca.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

PORTARIA nº 7


meu departamento foi há muito estuprado meu departamento de policiar, literar, cheirar, fumar ao vento ao sol secura inverno chovendo no molhado batendo em ferro frio, nem se contratar-mos os grandes mestres da cirurgia plástica, não reparariam o estrago que causa causou casamento de opinião obstinação: estouraram a boca do balão; dizíamos na infância, servindo agora pra mostrar enquadrar fora das páginas populares de qualquer papel jornal económica edição.chanel nº 5 uma gota na jugular.

MEIA DÚZIA DE COXETES DE PRESSÃO


em cada ponto que a agulha entrou sabe do retalho enmenda sem autorização de saída com o carimbo do chefe disponível a passarela de mármore branco vai escorregar mesmo para os sapatos anti-derrapante o chumbo das nuvens ainda salva uma bola de algodão doce e guardanapos santepel entram limparão cantos de bocas com sobras de batom sentar em cima da perna e deixar o salto fino do sapatinho branco de laçinho aparecer mostrando ainda sola de madeira o pregador da praça não prende nenhuma roupa que não seja pombos...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

GARRAFADA-5


GALLIANO ESTOU CUSTURANDO OU COSTURO UMA ESTETICA DENTRO DE ALGUMAS TECNICAS QUE DOMINO CICLISMO PEDESTREANISMO CINOFILIA XADREZ POLICIA BANDIDO FUNCIONARIO PUBLICO DESENHO FOTOGRAFIA FAMILIA LEITURA ESCRITA OFICIO DOXA ESCRITURA POESIA FALAR BESTEIRAS PERDER TEMPO DESPONTUAR DESACENTUAR ATUAR FAZER RECEBER AS PESSOAS EM CASA DESCARRILHAR DANÇAR E... DIOR COCO YSL, E... VOU BUSCAR OUTRAS TECNICAS E ESCREVER UM LIVRO TECNICO DEPOIS DE UM DE POESIA MINI-CONTOS SEMIÓTICA E ROMANCE E TANTOS ILUSTRAÇÕES COLETANEAS ANTOLOGIAS CATALOGOS E...POR ENQUANTO CURIOSO DA ALTA COSTURA...TENHAM PRESSA.

domingo, 4 de janeiro de 2009

4 de bêbado


estes signos altos costura o pano de fundo com renda gaze no estilo da estilista carioca marca passo peito aberto da coleção de verão as folhas da cerejeira tons do rosa as sarjas das vietnamitas dinamitando qualquer mina aberta corre com o corpo em chamas atomicamente perfeito diriam tribos que marcam o corpo para a dança da guerra no umbigo no nariz as orelhadas cuspam um véu pro meu tecido segunda pele que me separava do banco da bicicleta do meu pai treinando em sampa perigo constante novas camisetas dos times de antes remodeladas ao gosto e malha da hora se oferecem nas prateleiras de um novo estilista brasileiro primeira camisa amarela que a seleção brasileira jogou oficialmente a da mão do argentino e cosmos de pélé olê olá a laranja mecânica urubú clássico desfilem meu chapéu de cabelo como única peça transparente em treliça...

sábado, 3 de janeiro de 2009

3, parte do 8.

boléro preso nas costas nada dança escrevo desfile modas outras ricos sons nos sites da alta costura as passadas marcadas vou mudar pra passos naturais de cada gazela zelar por um caminho próprio fiz a inscrição na corrida de Reis dia 11 estarei no asfalto da família real lia antes agora sem nenhuma obrigação que não a linguagem...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

dois um


rude projeto rudy project na cara por baixo calça preta de instrução camiseta preta com brasão e o puma negro de dirigir no braço esquerdo o swatch infantil com cão dando língua fundo dos ponteiros amarelo grande pequeno prata caixa de alumínio lacrada tem na correia verde mostarda vários pequenos cães em peripécias mil a cueca bermuda cor da pele não aperta o cinto presente de outros artistas made in germany preto também as meias lupo corte de cabelo norte americano havaii Apocalipse nau tenho ao alcance da mão a lata aberta de puro pai joão nos bolsos a chave do mégane grafite com a da cozinha e do portão a carteira de couro marron com alguns trocados e um mistério permanente em contar com os desfiles de moda da alta costura estético na técnica.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

fala um

um movimento e toda a habilidade em movimentar-se aquele que sabe andar e o recordista mundial da maratona a dança de baile amadora e a bailarina russa número um o texto marcado e o sem marcas a genética e a ética: possibilidades, não um modelo de vida. este mão tenho, nem um conselho mais;~´...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

MÃE

Da minha avó herdei a reta, da senhora a curva.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

para quem ainda não comprou

Livro > Literatura e Ficção > Literatura Brasileira



De: R$ 29,00 Por: R$ 22,91
BR INFINITARobson Correa de Araujo
Editora: Iluminuras



Objeto do Desejo
PREVISÃO DE POSTAGEM: Até 2 dias úteis.

RESENHA

Um texto guia para a BR INFINITA se faz necessário: siga a trilha das formigas, diz o primeiro capítulo, impondo o ritmo do romance. Então caro leitor, a trilha das letrinhas das palavrinhas deve ser seguida, mas como formigas que às vezes parecem loucas quando perdem sua carga ou quando são obstruídas no seu ir e vir, sempre voltando e encontrando o caminho do formigueiro. Aqui também nada é de graça, todos os erros fazem parte do percurso, assim como os acertos, mantenha-se na estrada com todos os seus pertences, não vamos parar no acostamento, esta BR nem tem área de escape.O rock já é romântico e não saberíamos dizer o q vai rolar se pedras ou ar nos pneu cheios. Um hipertexto? – Talvez um hipopótamo ligando o seu ventilador!Percorrer cada traço da estrada é a meta de quem quer saber do percurso, a câmera é lenta, esqueça as regras, mesmo esta, aqui a ligação é direta e cada signo um fotograma pra você leitor, colocar seu punctum, trazer suas coisas e somar com o piloto, que tem plano de dirigir e conversar até o final, sempre ouvindo dentro e fora do espaço-nave, sim, pode intervir do jeito que quiser a viagem não é a saída, tão pouco a chegada, mas a condução dentro do percurso enquanto rodar, a vertigem deste deslizar, olhe a paisagem se medo, sobreponha, não me deixe dormir, vou te levar para um porto seguro no final, não fique ansioso com a minha tocada, não vamos bater nem ficar sem combustível. Veja! – Ela serpenteia para cima e para baixo!Sente-se bem, respire com o abdômen, a marca dos pneumáticos no asfalto preto vai ser só um chiado gostoso de ouvir e filtrar, e depois de marcados as imagens vão conduzir (piloto automático) a trajetória da viagem. Boa Viagem! O fotógrafo e escritor Robson Corrêa Araújo vive e trabalha em Brasília. Dentre as exposições de suas obras fotográficas destacam-se “Traços”, no Espaço Cultural Renato Russo, em 2001; “ Idéias Circulares”, no Salão Negro do Congresso, em 2002; e uma homenagem aos cem anos de Oscar Niemeyer que circulou em diversos espaços da capital federal, em 2007. É autor dos livros de poesias Azul no Branco, Curtas e Y Semiótico. Participou com fotografias do livro Grito interrompido, da editora Fresta.

DADOS DO PRODUTO
TÍTULO: BR INFINITA ISBN: 9788573212914 IDIOMA: Português.ENCADERNAÇÃO: Brochura Formato: 14 x 21 96 págs. ANO DA OBRA/COPYRIGHT: 2008ANO EDIÇÃO: 2008AUTOR:
Robson Correa de Araujo

descarrilhar trens: meu ofício.


acho que vou cabular dia dois aí terei cinco dias de folga acabando e começando anos a falta antecipada sempre presente desde a mais nova idade esta coisa de pensar que antes era assim e agora está assado é coisa de velho que as vezes quer vingar mas expulso todos os clichés em busca do tempo perdido se não posso perder aquilo que não tenho e quem é dono do tempo esta coisa imposta por observação errada baseado na dualidade ora a dualidade é apenas um acordar-dormir ou clarear-escurecer ser ou não ser é dúvida-certeza sou tão tudo quanto nada e o meu fantasma vai habitar por x ponteiros ou dígitos que relatividade alguma fará permanecer, qual a diferença entre o homem e a mosca( insecto, não a do Sartre) ? o que sei é que a mosca tem asas e mais olhos que os homens e nunca vi uma com crise existencial além é claro de qualquer comunicação, mas quando menino falávamos assim: sei lá nunca fui mosca. sem saber ainda o quanto de mosca me habitava e o tanto de mim que na mosca estava presente, ilusão natural de tudo que pensamos ver saber de tudo que pensamos sentir sair pregando peças por aí a embalagem do sabonete presa por linha invisível aos olhos dos passantes desavisados que abaixavam para pegar o vazio de qualquer lavagem enquanto colocávamos em movimento o presente de grego o achado não perdido não caiu do céu não é peça-art não peça de direito de direito é eu não concordar com nada do que falas e defender o direito de falares até a morte com veneno ou não Voltaire a volta curva serpente picada aberta deixando sangrar escorre tinta quando imprimires...

FELIZ TUDO PARA TODOS FÉLIX, E NÃO PRECIZO DESEJAR MAIS NADA PARA NINGUÉM


qual a cor do seu descolorir? o que te leva a pensar que alguém pode ensinar? esta falsa humanidade estudo dirigido sem poder reconhecer o feio? interrogar suas certezas livrescas não saber o sabor do seu corpo deixando ele inchar antes da hora querer sempre o seu quintal esquecendo que um cândido fala de um jardim em todas as dimensões? morder a cobra em vez de deixá-la deslizar? ter um i um pseudo ideal da amizade de agenda com o mesmo já feito? eu não sei onde estão meus troféus! desta vez não fiz ainda questão de ir buscar a tarjeta de identificação do último cão que comprei! e quando sento pra fumar meu charuto sei que prometi não fumar ainda criânça em baixo do meu chápéu branco com peninha mas não trago! quando tive que parar de correr e beber pedalei os prazeres do ciclismo e volto com cuidado! espero sem esperar vivo o que vier e o que não vier também por aí ou aqui tanto faz faço e não me preocupo com o reconhecimento este amuleto do nada! as fofocas e as críticas são amigas íntimas e mesmo indo mais longe de que me vale alguém me falar do livro se não rolar a conivência! escrevo com as mãos os pés as pernas minha bunda meu pau minha bike meu jogo xadrez sinuca com a luz e sombra em todo universo impenetrável sopro respiro e sopro o ar não me pertence eu não existo nem reconheço a existência paradoxo doce glicose da explosão!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

um texto da orientação?







“A terra pode oferecer o suficiente pra satisfazer as necessidades de todos os homens, mas não a ganância de todos os homens”.
-Gandhi- _Consumismo é o ato de consumir produtos ou serviços sem consciência e sem necessidade. É compulsivo, descontrolado e se deixa influenciar pelo marketing das empresas que comercializam tais produtos e serviços. Muitos alegam que a propaganda induzem ao consumo desnecessário, sendo este um fruto do capitalismo e um fenômeno da sociedade moderna, rotulada como “a sociedade de consumo”. A diferença entre o consumo e o consumismo é que no consumo as pessoas adquirem somente aquilo que lhes é necessário para sobrevivência. Já no consumismo a pessoa gasta tudo o que tem em produtos supérfluos, que muitas vezes não são o melhor para si e quase sempre desnecessários. O consumismo tem origens emocionais, sociais, financeiras e psicológicas que juntas levam as pessoas a gastarem o que podem e o que não podem com a necessidade de suprir à indiferença social, a falta de recursos financeiros, a baixa auto-estima, a perturbação emocional e outros. Há curiosidade de experimentar devido a propaganda na TV e por ser um produto de marca. Algumas pessoas compram apenas para atender sua vontade de comprar. Além de consequências mentais ao consumista que são processos de alienação, exploração no trabalho, compulsão por gastar dinheiro (distúrbio observado principalmente nas mulheres) poluição visual e sonora, destruição de culturas, manipulação dos sentidos de tempo e trabalho, o meio ambiente também sofre com este “mal do século”, pois o aumento desenfreado do consumo incentiva o desperdício, a grande quantidade de lixo, a poluição atmosférica, o uso da energia nuclear, o esgotamento das reservas de energia e o aquecimento global, além do aprofundamento das desigualdades sociais. O filósofo francês Gilles Lipovetsky, professor de filosofia na universidade de Grenoble, na França, possui um rol de obras publicadas. Navega em temas como moda, feminino, consumo, publicidade, hedonismo, individualismo, luxo, moral. Gilles Lipovetsky rotulou a sociedade da época de A sociedade do consumo. Publicou, em 2007, A sociedade da decepção. O sumário se apresenta em três partes denominadas A espiral da frustração, Consagração e descrédito da democracia e Uma esperança sempre renovada. Na parte da espiral da frustração, em um determinado momento, ele trata mais especificamente do consumo, evidencia que “o que gera decepção não é tanto a falta de conforto pessoal, mas a desagradável sensação de desconforto público e a constatação do conforto alheio”. O autor ainda vai além afirmando que “a inveja provocada pelos bens não comercializáveis (amor, beleza, prestígio, êxito, poder) permanece inalterável, mas aquela provocada pelos bens materiais diminui”. Vivemos na sociedade do excesso, na sociedade da abundância. Nem que seja excesso de riqueza pra uns e abundância de pobreza pra outros. No meio, uma classe média que tem excesso de desejo e abundância de débito no cartão. Mas o que define um rico? Alguém disse que rico mesmo é aquele que compra uma coisa sem perguntar o preço. Em recente entrevista, o filósofo Gilles Lipovetsky comentou que a Daslu, onde se pode chegar de helicóptero é quase uma provocação. Este é um luxo voltado exclusivamente para os milionários, que não permite o fácil acesso a quem não tem moral financeira. Lipovetsky segue dizendo que vivemos na Hipermodernidade, caracterizada pelo hiperconsumo. Mas a Hipermodernidade é boa, porque permite que bastante gente tenha acesso não apenas a consumo de comida, roupas e entretenimento, mas também a consumo de tecnologia médica e de comunicação. A parte ruim é que essa mesma sociedade que prega o bem-estar, o lazer, o prazer, também experimenta uma grave incidência de perturbações, ansiedades, o que, no fundo, segundo o filósofo, parece nos dizer que “o poder de consumo cresce cada vez mais, mas a felicidade não”. O problema estaria em querer comprar a felicidade. Lipovetsky então concorda com Rousseau, pois para ambos a felicidade está na relação da pessoa com ela mesma e com os outros. Uma pessoa em conflito consigo mesma não consegue ser feliz, compre o que comprar – ou por isso mesmo ela compra o que consegue comprar. E a coisa piora quando não consegue pagar. O pior mesmo é ver como as marcas se tornaram o sentido da vida para muita gente. Como diz Lipovetsky, “não há drama no fato de alguém não poder comprar marcas e luxo; o drama é a vida não ter outro ideal senão o consumo”. Essa corrida pelo ter, fortalece o individualismo, que, segundo o filósofo Adorno, é o fruto de toda essa Indústria Cultural. A indústria cultural não se importa com seus efeitos nocivos, somente com os lucros que pode ter. A principal aliada da indústria cultural é a televisão, onde o receptor assiste programas com personagens ricos, como dificilmente conseguirá ser. Faz sair da realidade do cotidiano para tentar esquecer as contas a pagar e problemas a resolver. O público ideal para a indústria cultural são sujeitos psiquicamente mal formados, o que impera é a semi-informação (atitude anti-filosófica). Para Adorno é melhor ter cultura nenhuma, do que ter semi-cultura. Nela o que realmente importa é a quantidade e o lucro, não a qualidade. Segundo Canclini (pesquisador argentino), o consumo, de forma simples, é “o conjunto de processos socioculturais em que se realizam a apropriação e o uso dos produtos”. A principal categoria a que hoje se liga o consumo não é a racionalidade do uso das mercadorias, mas sim o valor simbólico da diferenciação social. Jean Baudrillard (filósofo francês) defende que “nunca se consome o objeto em si (no seu valor de uso) – os objetos (no sentido lato) manipulam-se sempre como signos que distinguem o indivíduo, quer filiando-o no próprio grupo tomado como referência ideal quer demarcando-o do respectivo grupo por referência a um grupo de estatuto superior”. Para Baudrillard a persuasão na publicidade “faz do objeto um pseudo-acontecimento que irá tornar-se o acontecimento real da vida cotidiana através da adesão do consumidor ao seu discurso”.Referências:LIPOVETSKY, Gilles. A sociedade da decepção. Barueri, SP: Manole, 2007. 84p.

ou ainda

isto de ir me leva de gastar sem o plano de vou remeter ao destinatário todas maneiras dos lugares apenas o mesmo lugar a língua servindo de estrada o país destruído pelo capital desgovernado estradas boas só as caras taxas interrompem o fluir do tapete primitivo sistema dinastias terceirizadas ir pelo clichê do ir mar & óleo xadrez zedrax zunir sem freio cavalgo o bispo salto da torre a rainha me serve estou nu por baixo e cada peão minha acção de graças as figuras guardam o centro ocupado por vira-latas de confiãça sabem do cedilha dedilhado por unhas aparadas com tesoura b&w 7 tons da mesma técnica meus bugalhos troca por alhos solha e sente HL hoje o livro está nas estantes virtuais basta clicar ler a apresentação e o L está lido comente a resenha aos críticos cri-cri faz o grilo grelo grélo magrelice do ontem minhas pernas divididas por novos movimentos pisam a areia AVIA inserção marca d'água lambida por nova onda não fica vai circular cardiovascular máxima velocidade do possível oxigénio hidrante amarelo serve de banco para a reflexão...

ainda em 2008...

.oi é que mamãe morreu e resolvi ir ao guarujá e bertioga rever a infãncia de tio os narizes de tico-tico meus irmãos em sangue derramado as estradas os pedÁGIOS os buracos mineiros o gás de cubatão passar batido pela marginal sem parar na capital pegar a balsa cair no porto de santos falar com os caminhoneiros dar bom dia à cavalo me perder nas pedras da encosta tendo como testemunha o paulinho e os meninos da favela que fizeram grande recepção soltar o galgo na areia ver os limites da passada cruzar com pernas trazeiras bem na frente das dianteiras tomar o caldo do carangueijo com o edilson por pura confraternização com o desconhecido cagar encher a sunga sujar todo o banheiro e ter o contacto com a própria merda em redenção absoluta fumar um charuto na padaria escrevendo com a stabilo vermelha os relatos de viagem fotografar minha boderek saindo da praia olhar nos olhos da filha mais velha em brodowski na volta entregar a br pra amelinha levar a biblioteca e ter seu exemplar além da distribuição correr de novo no canteiro da cãndido portinari no fim da tarde depois da tocada do guarujá até cãndinho e sua terra e uma saudade do meu blog represada com carinho para explodir de aqui de qualquer jeito afastam o muito que quero dizer faltar cabular todas as postagens deste intervalo oi é.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

leite e sangue

os passos dados rolam sem pensar foram pensados antes agora esqueceram e lembram sem nem um esforço quando ligada a cãmara cão sem chapéu pronto faro fino manda chuva gira sem escorregar batatinha quando nasce ingenuidade reforça os pensamentos de escape do chefe entre latas grades e outros elementos do caminho sempre sem segurança que não seja apenas escapar das armadilhas que tem o aparelho presente na arte ou na rua na casa de madame no barraco do cabeça ou no esconderijo da onça lá onde nem off road vai meu automático escapa de qualquer paisagem...

domingo, 14 de dezembro de 2008

por enquanto...

foi muito bom o lançamento do br infinita além ainda das críticas no dia seguinte quem ainda não comprou está em todas as grandes casas do ramo por 29 reais é pela EDITORA ILUMINURAS E TEM POSFÁCIO DO DOUTOR ANTÓNIO VICENTE SERAPHIM PIETROFORTE uma foto minha da galeria da câmara dos deputados mostra a parábola luz e sombra curva volta qual é a volta dizíamos em brasilândia de minas ao fechar um negócio fogo pago sem chapéu na cabeça, tem volta?

domingo, 7 de dezembro de 2008

UÊ NOSBOR, E O CONVITE?


eu, robson côrrea de araújo vou lançar um romance pela editora ILUMINURAS com posfácio do doutor ANTÓNIO VICENTE SERAPHIM PIETROFORTE, no dia dez de dezembro de dois mil e oito, na livraria SICILIANO do CONJUNTO NACIONAL BRASÍLIA, este romance em três capítulos, com oitenta e oito páginas leva qualquer um na bagagem e...às 19:00h começo os autógrafos...convido todos aqueles que por ventura tiveram algum tipo de contacto comigo( já disse isto antes...) para virem conferir a volta da BR INFINITA.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Palavras do Amigo Alber


Na estrada - para entregar um foguete a Robson
(homenagem ao escritor Robson Corrêa de Araújo)
Robson vai lançar um romance, viva Robson! Tenho apreço por esse menino, róseo matiz de nossa policrômica jornada. Robson na vida vai e vem. Qual balanço no parquinho da infância; qual menino naquele balanço, pendulando e contando horas e estrelas; pendulando e medindo nuvens e distâncias. Robson, na ilha, contempla as singularidades.
Sorri e balança. É a ilha que balança – Robson está como esteve, sentado à palmeira. A ilha balança sobre o mar; mar donde emergem o Rubayat, o Baghavat, as Folhas de Relva, O Grande Sertão e toda semente cósmica da vereda de sonhos por que Robson trilhará. O mar extático de Omar, formidável de Walt, impreciso de Pessoa, seco e contemplativo de Carlos, duplamente seco de Rosa, é o mar indefinido de Robson – mar da inkomunickhassão – místico espraiar do vinho sobre dores e amores.
Robson posicionou sua bike fumegante na BR-infinita. E ri à-toa qual menino a balançar sobre a ilha. Robson é uma ilha que balança sobre o mar. Às vezes, com base, às vezes kamikaze; Às vezes com risco, às vezes corisco; às vezes ilusão, noutras irrisão. Este é Robson: bravio mar que balança sobre a Terra-ilha.
Robson é um louco obstinado numa bólide que balança sobre a ataraxia. A Terra é a bólide, e Robson a via. Robson é Sexta-Feira da galática ilha. Crusoé viajor da ilha. Robson na trilha alarga a global psique.
Robson cruza o éon sentado no balanço de Minas.
Robson é a Terra em movimento pelo sistema interestelar.
Robson é o microssomo do cromossomo y semiótico.
Robson é o que você não entendia.
Robson maldito, mágico, gigante, profeta, erudito.
Robson era o sol, só que você não via.
Robson era sol e sistema e aí nem eu mesmo entendia. Robson era o Solar Sistema sobre a trágica Via. Robson dizia: palavra! E a palavra o seguia. Robson ia antes, e a prole de palavras o seguia. Robson era o puro raciocínio e pouco a palavra o detinha. Robson, calado, falava. Robson era o grávido guia sobre a Láctea Via. E a enxurrada de palavras o seguia.
Robson era a Via numa carruagem de fogo e crias. Robson era Buendia. E via no repasto... as formigas do tempo... a lhe devorarem os dias.
Robson era enxurrada e constelação. Robson lactante dava de mamar às crias.
As formigas, grávidas, quanto mais o comiam, mais do balanço pendiam (do balanço-pêndulo-palmeira que a infância revolvia). E deram de perscrutar a estrada – rodovia infinita – por onde nos futuros dias seus filhos se conduziriam.
Eu, de atalaia, sentado, via.
22 de novembro de 2008
Alber Vale de Paula

domingo, 30 de novembro de 2008

nas bancas


a br infinita vai ser lançada oficialmente dia 10 de dezembro de 2008 na livraria siciliano do conjunto nacional brasília às 19:00h pela editora iluminuras com posfácio do doutor em semiótica ANTONIO VICENTE SERAPHIM PIETROFORTE professor titular da universidade de são paulo(USP) e texto e fotos da capa e da orelha minhas assim como a audição demoníaca onde narro a ventilada do hipopótamo além da orelha onde abandonei o estilo para dar o texto guia que o meu editor pediu e gostou vamos e agora qual é o erro que querem para saírem dizendo por aí que mas...mas como que ele fez foi na manha do gato miau ... e isto num tem nada a ver ...é panelada e coisa e tal , como editaram ... como um doutor da usp se presta a este papel ...vai comprometer a cátedra ...e outras cogitas mais que sei que é próprio de quem ...mas mas...que que que...i!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

como fazer

Electrolux lenovo prostrada no pó está minha alma salmão em fatias finas com limão galego fritar o couro fazer torresmo à milanesa sistema de defesa do organismo carga viral zero submetido ao exercício diário vontade de potência além do mal e do bem campus aberto guia material cautela o corpo quer falar no asfalto o invisível texto beta-endorfina drogas fora do poder ok k.o kkkkkkk ooooooooo picapau cinema mudo sem legendas água mineral nativa património estação de trabalho desbloqueada pressione o cérebro na página tem quem goste frequentar expor correr respirar descongelar pipoca brigadeiro hot dog refeição macarrão arroz batata carne moída omelete panqueca pudim bolo frutas sopas vegetais irmãos ligar e manter aquecido.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

QUAL É A RELAÇÃO

uso só o indicador na inserção meu punctum que já cavou três anos neste livro de anotações escolhe não cavar espaços para pausas dos outros quem quiser me seguir que entre no bonde em movimento este "B" seleccionado no modo manual menu discado do provedor digital sem gastar ainda as ranhuras desta ponta cai lentamente em cada poro dos sígnos fazendo a ventosa do polvo respirar a água do dia todos os orifícios são penetrados irrigação H com cúpula e bacia de lavar sangue negro tinta do escape desenha virtualmente a mentira chamado de verdade enquanto ferramenta masculina arte do manipular-se sentir a linguagem do corpo servir de campo de força como os guardas-chuvas do amor colorida Deneuve perfuma o meu francês enquanto dirijo da cadeira de lona com o bom baiano preso apenas nos lábios sem barba e bigode outra persona representando o papel de pai amor avô artista trabalhador do olhar tio irmão filho neto ainda da Filomena sobrinho da Diva louco sóbrio embriagar de sentimentos por todos os sentimentos dos outros sem administração sem governo nu de alma latir ri tal lat ir ao ritual das relações.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

acentuar o próprio

quando as metáforas me abandonarem e a minha língua estiver seca, tal qual a de papagaio, será que vou ficar repetindo palavras? ou vou repetir ideias com outros signos? "," posso ainda, repetindo palavras e ideias, dar novas imagens?
Neste jogo, as regras, os modelos e escolas pouco importam, mas, ter o que dizer com estilo próprio, é o que me estimula: novos ares, urina descendo num jato forte e longo o suficiente para ser considerado uma boa mijada...
O retrato enquadrado fala da vida além do vivido, propicia escape e delicadeza no observar, mesmo com luz artificial e clichê, ainda pede´pelo punctum dentro do studium, lacrando com cera quente vermelha o meu "r" minúsculo.
Meu pensar torto verga o aço da norma culta, molda a vertigem dentro de latas domésticas e embalagens plásticas de outros mares.
Nâo tenho medo de ficar sem imagens, esta possibilidade é só mais um clic do meu botão disparador.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

PRÉVIA DO CONVITE VIRTUAL

dia 10 de Dezembro de 2008 às 19:00 na livraria siciliano do conjunto nacional Brasília estarei lançando pela editora iluminuras o meu romance BR-INFINITA onde escapa numa só reta o além da curva conto com a presença de todos os que tiveram algum tipo de contacto comigo pois com certeza vão viajar juntos novamente venham conferir a narrativa direta na lata vento bom nos vidros abertos e quem gostar de ar condicionado vai no espaçoso porta-malas...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

bela época

onde passo com minha merley made in holland clássica feminina preta com tapa corrente inteiriço na garupeira vai o neto contacto directo com as duas rodas dínamo de alumínio tranca de fábrica com chave única aro 28 pneus originais farol banco com molas foi do capitão asfalto comprei por sete peixes ele me devolveu uma onça só que esqueceu um peixe na minha carteira por não contá-los em nome da amizade ligou quando eu via nosferatus disse eu pescador que não conta peixes deixa escapar passo na fazenda piquet não confundir com briquet bsb solar compramos o pão e post.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

da de di dó du.

todos os bichos no carrinho de compras vermelho e amarelo com rodinhas brancas várias viagens rumo a cama do rei ARTUR ar tour voo da primeira asa sustentado por primeiro ar a chuva deu um tempo os pássaros voltam a piar o cão azul é o último carreto antes do porquinho rosa na almofada verde e lilás a mochila do cebolinha tem uma etiqueta da força aérea piloto-aviador id-10516601-1 voo noturno deste pequeno príncipe na terra dos homens arquivos signais plásticos desta indústria do brincar pés descalços em busca das mensagens que o caminho oferece farpa lição escapando pela fresta da estrutura novo sol novas sombras mesclam o quintal de verde e amarelo chumbo no céu quer pesar a primavera que sentada não se descreve...

domingo, 9 de novembro de 2008

processing


escrevo video
sem nenhum acento post do computador quando procuro um Ò indian feito do chão das gorduras das mãos das filhas que também arquivam vozes falares de distancias distanciais num cio que me escapa o ciclo queria mostrar a visão da sargeta vista dos que dormem nas calçadas sem fama l´rico cica corta minha língua misturo mesmo sem medo da embriaguês limite barco restaurador de escapes permanentes da vida de morte muito mais que a curva de kafka não volto com correções abstratas ou a forma pura hoje amei algo em mim que não sai aqui nem volta de onde veio escorre nas canaletas misturado ao vermelho fora da luz nas cavernas interiores escapa da chuva meu carro aberto quando saio cantando: " Há muito tempo que num tomo chuva Há muito tempo que num sei o que é tomar um toró" os vidros elétricos sobem, roldanas rangem escondidas...posso voltar ao texto? vítreo película permite um olhar além do vidro verde francês...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

pré datado

times semit ó ica tempo escorrendo na ponta do dedo indicador indica ainda o restaurador de almas mortas arquivista da clínica du renascer di um sol made in japan plástico aeiou grunhir qualquer ruído restabelecer contacto com outras dimensões território árido do pensar gingando com a própria bunda passam transeuntes escrevendo outros passos da dança da colheita para dionísius nitendo uso o case guardando as figuras do xadrez as almas vão no bolso ação sem volta mesmo quando atravessa espaço e tempo condecorado rainha ainda é peão que virou nobre se cavalo sutíl óctuplo salto do pangaré caso bispo feminino movimento gay ou torre de espiar banho nú os reis branco & preto dual slalon atropelando bandeiras quadrado há quadro grande e pequeno rock feitos antes do sétimo lance guarda fecho.

rasbisquinho em cima de letra

nav van goggh hoggg alma-de-gato vissiá não trocar por alma da mata pois não posso curála caso currase ia preferir com ç ainda vejo o gato confundindo com til serpente bote ou o rabinho do bichano sobra da calha pincelada única caco de tinta no muro caco-fone Filomena me observa por trás dos óculos embaixo do lenço chinês a vara de marmélo foi eu que colhí acentuando o vergão vermelha marco minha bunda branca ainda sem pêlos mas um chapéu panamá clichê do cine foto rex no centro do são miguél paulísta anos 60 o netinho da vovó...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

interromper o processo

ao ir no cartório leve um amigo do lado esquerdo sempre é bom ter uma fiel visão passo na candanga e pego zezinho antes fumamos um da palha mineira com fumo capoeirinha trança marrom da minha maior idade infancia souza cruz minha tia trançando cortinas com maço de cigarros rótulos diversos estampas maravilhosas tomo café bom do preto véi meu amigo das antigas nas peladas nos corregos na bica no copo até nos jogos aquecemos bem antes de chegar mais de uma hora atrazados e lá estava a esfinge pedindo para ser decifrada e ouve o meu não na hora certa depois de meses esperando por este texto escritura que não é a minha dura inflexivel cem acento quebrada torta navelouca mas...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

enxertando mudas

no bosque da constituinte só pode assaltar com projeto de lei complementar.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

consulex

antes setna um set étinico prós quilombolas quilombar cavalcante no seu azulão branco outras águas navegar embargar a cultura no cais ao chão trapos desbotados óleo natural suor do cavalo que recebeu a pomba gira sampa olhos B&W voz escapada sopa de clitóris deguste o que puder sempre tem mais ao molho pardo das passarelas late naomi minha cadela whippet dorme com a LÌGIA no mesmo quarto trapistas de outras minas ainda acenam com coloridas bandeiras retalhos da própria vestimenta lírico mina lírica desenhos com traço próprio diz da vida da casa da rua de tv cinema livros revistas internet univercidade que une ver cidade de dentro escapa aos modelos vencidos dos saraus produzidos pra serem administrativos atrativos de estímulos gratificantes...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

"encontro marcado"


e na estação 23 twingo parado na vaga encontro o fabão passando numa volta ao lago com sua bike camuflada de preto estamos conversando quando entra o carro verde digo que é um mustang ele diz ter visto uma outra marca no alvo traseiro quando desce da nave Piquet ele quer fotografar vou na cola e pergunto se é um Ford Piquet diz uma edição limitada do Bullitt de 68 do filme da perseguição e coisa e tal pergunto por ontem ele diz não deu falo da minha aposta com o David que ganhei trinta contos poderia ter pago os trinta pela vitória Massa mas não deu lindo carro olhos diretos sem apresentação qualquer hora levo a BR-INFINITA ao meu nobre vizinho que ainda não teve par nesta história de F1 com toda a sagacidade brasileira nos nervos e a perspicácia deste gingar...

domingo, 2 de novembro de 2008

AUDIÊNCIA PÚBLICA


as árvores do saber, tão tortas quanto qualquer cerrado, encurto: árvores, saber cerrado! como percorrer todos os veios? indecentes, queremos marcas. quanto leva a forquilha do tempo pra arremessar um planeta? quem sabe do planeta que foi? de concreto nem o etéreo. uma folha se insinua na minha direção, rola dobrada seu canudo mal feito, desapareceu com vergonha, está na sarjeta, derby. este muro baixo saltar a vírgula meu modo no polegar: setas pressionadas menu home: abrir, girar: aperto o gatilho! _Tudo que foi congelado acorda sem saber do sono, rumina estomago meu, ronca algo que não comeu: fumo de uma nau cada vez mais distante. todas as vozes que gastei nos corredores, um s a sibilar. todos os chocalhos que balancei, guizos de beber. a marca registrada no fim da criança muda o signo tomada a chupeta. entorna sangue na esfera: bic, bic, bic. azul polar. quantos brancos tem o esquimó? pintar cavalos brancos na neve pra urso polar ver. modelos do sonhar sem sol pessoa por pessoa cais a cais porto aporto. passou uma tropical, voo baixo no fim da tarde, o céu pesa a chuva que não veio. anónimo moto boy leva a pizza nomeada. ar condicionado barulha os pios de recolhimento da beija-flor. ave de qualquer ninho bota na casa do joão de barro, nasce estrangeiro meu filhote, com muro pra saltar. ecoa signo, grita mudo na orelha do louco esta labirintite.
Chaves amarradas por fio azul abrem portas pequenas, balcão de fórmica negra emoldurado de ipê ocre: micros decadentes com programa civis, vício do aparelho CD. um ventilador Arno plástico sobre pedestal cinza, serralharia com soldas da grosseria, cadeiras rotatórias dos chefes velhos que nunca chegaram novos, pirolitos cromados com fita de língua de sogra impedem a passagem dos inoportunos. portas de vidros quebram e madeirites aguardam a próxima licitação. cones encaixados um no outro fazem um bacanal explícito em frente a portaria. a caixa amarela dos correios é um robô que não diz nada dos emails concorrentes, mesmo com uma perna só ainda lembra o do perdidos no espaço.

sábado, 1 de novembro de 2008

esperando voltar do pedal


210
toda minha vida num gritar de cigarras, um filme do estar.
liste o que viu, e mande via correio eletrônico: a parte que não corre neste é.
sinfonia da natureza, sempre dando mais do que podemos observar!
quase elemento
respire o que ver, olhe bem com seu nariz, e ouça o cheiro da vida dissipar, espiralando ao gosto do vento, queimando com o espiritual, escorrendo na terra, enterrado n'água: substrato pra outro voo...
grita joão de barro, seu parceiro voltou ao barro, neste ó que acentua o olhar pra cima, aqui de baixo sabiá laranjeira acorda a 313 bem antes do sol raiar, tirando o sono do mineiro que percebe neurose das luzes artificiais.
ri malhada
o cão lançando seu regulamento nos jardins das quadras com sua guia de correr, obesidade mórbida dona de caixote de concreto e carrinho de autorama rama ari passou com sua bermuda camuflada, menininha com vestidinho verde sai com a empregada.